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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

UM OLHAR SOBRE A CRAFT OF THE WISE

CLARIFICANDO A DEFINIÇÃO DA TRADIÇÃO ALEXANDRINA DA WITCHCRAFT

Karagan (c) 2012. Todos os Direitos Reservados.

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Existem algumas directrizes e parâmetros os quais presidem a essência da Tradição Alexandrina da Wicca.Poderei tornar-me impopular por afirmar e circunscrever estes mesmos parâmetros  mas a perspectiva que apresento tem por base informação que advém da pratica e da compreensão da génese da Wicca Alexandrina. Tomarei por base um texto criado e assinado por vários Anciãos da Tradição de todo o mundo e acrescentarei ou modificarei o que achar desactualizado ou fora de contexto. 

Esta informação tem como alvo todos aqueles que pretendem entender a Tradição Alexandrina da Wicca fora dos Círculos internos da Tradição. Os Alexandrinos definem a Wicca como uma religião Iniciática, Mistérica sujeita a juramentação de votos, experimental por natureza e que tem as suas origens nas Ilhas Britânicas.No entanto o termo “Wicca” ter sido adoptado pelo movimento Pagão/Neo-Wiccan que tem vindo a crescer nos últimos vinte anos. Para distinguir as Tradições originais da Wicca dos grupos não iniciáticos, referimo-nos à nossa Tradição como ‘British Traditional Wicca’ (BTW) nos Estados Unidos e na Europa como ‘Traditional Wicca’ (TW). 

Para simplificar as coisas, neste artigo sempre que se refere a Wicca, estamos a referirmo-nos-nos exclusivamente à BTW/TW a não ser que seja indicado o contrário.  

Origens da Tradição Alexandrina da Wicca 

Será importante lembrar que as “tradições” tal como as conhecemos agora, não existiam no inicio da ‘Tradição Alexandrina’. A nossa Tradição tem as suas origens naquilo que hoje se chama a Wicca Gardneriana, a qual na altura se chamava simplesmente “The Wica” ou “A Velha Religião”. O nome “Alexandrina” é na generalidade visto pelos iniciados da Tradição como uma referência ao seu ‘fundador’, Alex Sanders. 

Alex Sanders foi iniciado na Wicca Garneriana no inicio dos anos 60. Mais tarde ficou conhecido por ser um excelente Mago Cerimonial e pelo título de “Rei das Bruxas(os)” o qual lhe foi atribuído por lideres de alguns dos seus Covens no final dos anos 60. Segundo Maxine Sanders, ele era membro de pelo menos dois Covens antes de casar com Maxine e de fundar o Coven de Londres (London Coven) do qual muitos Alexandrinos descendem e no qual muitos Gardnerianos obtiveram o seu treino na Craft. 

Alex era um um homem muito especial. Dizem, quem o conheceu e conviveu com ele, que tinha um magnetismo contagiante, era muito delicado e educado e com um sentido de humor extremo, ao ponto de ser por vezes mal entendido.. Foi este magnetismo e extrema facilidade me lidar com a imprensa da altura que causou grande desconforto a alguns Anciãos da Wicca mais conservadores. No entanto Alex era conhecido por ser um excelente curandeiro, um medium extraordinário e um poderoso bruxo e mago.

As suas incursões nos média valeram-lhe a publicação da sua biografia romantizada sob o título de King of the Witches da autora June Johns e mais tarde à publicação da clássica ‘biografia de um Coven’, What Witches Do, de Stewart Farrar. Os Sanders tornaram-se bastante conhecidos no Reino Unido durante os anos 60 e 70 e são responsáveis por terem revelado e trazido a Craft a público pela primeira vez. Um excerto de um texto de Maxine Sanders descreve de forma exemplar todo este processo: “Apesar do interesse extremo dos paparazzi, as muitas e sinceras Iniciações feitas no nosso Coven, durante e desde esse período, vieram criar lugar para uma linhagem da Witchcraft que desde então se espalhou por todo o mundo.” E de facto foi o que aconteceu. Em parte como resultado das incursões feitas por Alex Sanders nos média, mas também como resultado dos conflitos entre Alex Sanders e duas conhecidas Sacerdotisas Wiccan da altura, formou-se uma clara divergência, que resultou no crescimento gradual do que posteriormente se veio a chamar de Tradição Alexandrina da Wicca. 

O termo “Alexandrina” foi, segundo Maxine Sanders, atribuído por Stewart Farrar aquando da escrita do seu livro What Witches Do em 1970. No entanto, uma entrevista com Sanders feita por Stewart Farrar em 1969, Alex clarifica um pouco mais esta questão. Alex é citado dizendo: “aqueles [feiticeiros(as)] que não querem publicidade, têm a tendência de se referir aos meus(minhas) Bruxos(as) como ‘Alexandrinos’.”Os primeiros iniciados de Sanders referem-se a si próprios simplesmente como “Witches” (Feiticeiros ou Bruxos). O nome da linhagem de Sanders começou pela primeira vez aplicado apenas nos princípios dos anos 70. A Tradição Alexandrina é extremamente bem documentada tanto em termos de material de treino como em historial de linhagens legitimas (ate Alex e Maxine). Naturalmente muitas confusões têm surgido à cerca da nossa Tradição em ambos os casos, as quais se espera que fiquem esclarecidas neste artigo. 

Ao contrário daquilo que normalmente se pensa, nem todos os Alexandrinos trabalham Magia Cerimonial, Cabala, ou Magia dos Anjos. Alguns praticam-nas, outros não. Alex Sanders encontrava-se sempre num processo evolutivo das suas próprias práticas mágicas passando novos conhecimentos e técnicas aos seus iniciados. O resultado deste processo está na existência de muitas linhagens diferentes que descendem de Alex Sanders, cada uma com as suas particularidades mas partilhando do mesmo Corpo de Conhecimento Tradicional da Tradição que mantém uma base solida comum a todas as praticas Alexandrinas. Alguns Alexandrinos estão fortemente orientados no sentido da Magia Cerimonial enquanto outros estão mais orientados para a Magia Popular. Tudo depende não só da linhagem e origem de cada um, como também das opções individuais e de cada Coven.

O ensino sempre foi um ex libris da Tradição Alexandrina, com cada nova geração adicionando mais conhecimento à geração precedente contribuindo para a constituição de Sacerdotes e Feiticeiros(as) detentores de novos e efectivos conhecimentos. Esta diversidade proporciona uma tradição dinâmica e efectiva, com os pés bem assentes na Wicca Tradicional mas de olhos no futuro. Outra das muitas confusões à cerca da Tradição Alexandrina prende-se com facto da publicação que Alex Sanders e o casal Farrar fizeram dos conhecimentos integrais da tradição, bem como o Livro das Sombras Alexandrino na sua totalidade. Qualquer um que leia os livros tanto de Alex Sanders como dos Farrar verificarão que isto é absolutamente falso, mesmo até pelas declarações dos próprios autores nas suas obras. 

Os conhecimentos e procedimentos da Tradição, são passados de forma oral e escrita, através de treino valido em Templo reconhecido e estes não existem de forma publica. Muitos são os autores que publicam obras sobre "Wicca Tradicional" e dispõem em títulos e subtítulos ou em contra-capa dos livros que escrevem que os elementos contidos no "iluminado manuscrito" são ensinamentos de caris Alexandrino ou de "tom" Alexandrino. Todos os iniciados tomam votos de segredo - nunca um Iniciado genuíno e detentor de informações validas da tradição, as publicaria em livros e na Internet.

Alex Sanders fez a sua passagem para Além do Véu na Noite de Beltane em 30 de Abril de 1988 depois de ter sofrido e convalescido de cancro do pulmão. Após a morte de Alex Sanders, o Concelho Britânico dos Anciãos da Tradição Alexandrina reuniu-se e redigiu o seguinte documento:

"Comunicado dos Anciãos da Tradição Alexandrina Foi feita uma reunião dos Anciãos da Tradição Alexandrina na Quita-Feira 12 de Maio de 1988.Foi sempre Lei na Craft que um Rei seja escolhido pela Craft quando exista necessidade para o mesmo. Depois de grande reflexão, foi aprovado por unanimidade que não existe mais necessidade para que um Rei das Bruxas subsista. Isto e bastante triste pois não existe ninguém Propriamente Preparado para assumir este papel. Alex Sanders guiou os Filhos Ocultos da Deusa a Luz. Foi um papel muito bem desempenhado e foi seu mais intimo desejo, que os Filhos Ocultos da Deusa continuassem o seu trabalho nessa mesma Luz. É também desejo dos Anciãos fazer a seguinte declaração publica - que a "Ordine Della Nova", via "Ordine Della Luna" não é, no seu todo ou parcialmente reconhecida pelos Anciãos da Tradição Alexandrina da Wicca. Fim da Declaração Transcrita na Sexa-Feira 13 de Maio de 1988por Nigel Bourne, BCM Akademia, Londres WC1N 3xx"

Existem vários pontos no texto acima que valem a pena ser analisados.

Aparentemente, estas Ordens, segundo os seus praticantes, resultam do trabalho feito por Alex Sanders e Derek Taylor. Em 1979, Alex Sanders e Derek Taylor trabalharam em pareceria. Alex usando dos seus poderes mediunicos e Derek Taylor tomando nota para que as sessões feitas com Alex fossem devidamente registadas. Nesta altura, Alex trabalhou varias disciplinas magicas e formou vários grupos de trabalho, focados mais na Magia Cerimonial e no Hermetismo e Ocultismo em geral. Conhecido nesta altura é também o trabalho mediunico que Alex fez, comunicando com Extraterrestres (Ordine Della Nova). Este trabalho, foi na altura olhado por muitos como sendo a decisiva distanciação de Alex em relação a Wicca Tradicional e mesmo sendo trabalho desenvolvido por Alex, não quer isto dizer que este mesmo trabalho tenha alguma ligação com a Wicca Tradicional. É bom referir que nesta altura, Maxine estaria a desenvolver trabalho em Templo de Wicca Tradicional com David Goddard no que se chamaria "Temple of the Mother", continuando o que foi iniciado em 68/69 por ambos Alex e Maxine no primeiro Coven em Londres e antes disso, em Manchester.

Lendo o documento acima, fica bem claro que estas Ordens ou qualquer outra Ordem que descenda destas, não são reconhecida pelos Iniciados da Tradição Alexandrina da Witchcraft. O documento acima consta na biografia de Alex Sanders, A Coin for the Ferryman - the Death and Life of Alex Sanders entre muitas outras informações sobre as circunstancias que presidiram a este documento.

A confusão advém não do nome destas ordens mas da descrição das mesmas. Passo a transcrever a definicao, tal como aparece num dos vários sites da mesma:

"Ordrine Scatere Stellae (Alexandrian Wicca, witchcraft and the Ordine Della Luna)"

As Ordens que hoje existem, estão representadas na Australia e Nova Zelandia através de Simon Goodman e Soror Moonshee. O problema surge quando esta descrição inclui "Alexandrian Wicca". Não existe semelhança remota ao que é praticado nestas Ordens e o que é praticado na Wicca Tradicional Alexandrina. Estas ordens são de cariz Cerimonial e Hermético o que serve os estudos e gostos dos seus fundadores. Diz-se ser "Alexandrian Wicca" apenas pelo facto de que Simon Goodman (um dos elementos fundadores da Ordem na Austrália) foi de facto Iniciado mas isto não quer dizer que o practicum destas Ordens seja regular (e com regular quero dizer tradicional e wiccan) ou que quaisquer iniciação nestas Ordens ou linhagem proveniente da mesma seja uma iniciação valida na Tradição Alexandrina da Witchcraft.

Estas Ordens, pela sua natureza, qualidade e conteúdo do trabalho que desenvolvem, não conferem linhagem na Tradição Alexandrina da Wicca.


Crenças

Tradicionalmente o Corpo Sacerdotal da Tradição Alexandrina presta homenagem aos Antigos Deuses da Europa, com maior incidência na Deusa da Lua e no seu Consorte, o Deus Cornudo. Os Deuses com os quais trabalham não são ciumentos, e como tal, os iniciados Alexandrinos poderão trabalhar com outras divindades a nível pessoal.

O Corpo Sacerdotal da Tradição Alexandrina almeja uma ligação e entendimento pessoal com a Divindade e com os Ancestrais, mas também com com os ritmos e marés da natureza, e como tal não tem intermediários  apenas Sacerdotes e Sacerdotisas.

O Corpo Sacerdotal da Tradição Alexandrina acredita no poder da magia e no uso de técnicas tradicionais e inovadoras para atingir os seus objectivos.


O Papel do Clero

A Wicca Alexandrina é muito diferente de outras religiões pois não tem intermediários  Cada iniciado da Tradição é um Sacerdote ou Sacerdotisa dos Deuses por direito.

Alguns dos Sacerdotes e Sacerdotisas são bastante activos nas comunidades pagãs locais. Outros trabalham fora do olhar do público concentrando-se no trabalho dos seus Templos ou nas suas demandas pessoais.


Organização de Grupos

O Corpo Sacerdotal da Tradição Alexandrina está organizada em Covens. Em algumas ocasiões trabalham skyclad (nudez ritual) enquanto noutras usam túnicas. Independentemente da preferência do Coven, alguns ritos são feitos skyclad por todos os Covens Alexandrinos reconhecidos.

Para se tornar um iniciado(a) da Tradição Alexandrina, tem de se ser iniciado por um Sumo Sacerdote ou Sacerdotisa Alexandrina devidamente preparada e autorizada numa iniciação cruzada em género. Os ritos de iniciação tradicionais deverão ser usados sem omissões, tal como foram passados por cada linhagem desde o Coven Alexandrino original. A “Auto-iniciação” não é possível na Wicca Alexandrina.

A Tradição contém três níveis chamados Graus. Um iniciado do primeiro grau é um Sacerdote ou Sacerdotisa da Tradição e um iniciado do segundo grau, é um Sumo Sacerdote ou Sumo Sacerdotisa da tradição e Ancião do Coven. O terceiro grau é normalmente reservado aos lideres de Coven. O tempo entre cada grau pode variar substancialmente de linhagem para linhagem e depende dos objectivos e pontos de vista de cada Coven no que respeita à iniciação e à experiência na aprendizagem. Na Tradição Alexandrina cada individuo faz a sua progressão espiritual através dos graus, no seu crescimento interior e nos Deuses, não no tempo em que fica em cada um dos níveis.

Na Tradição Alexandrina da Wicca os graus são atribuídos de forma diferente; o primeiro grau e o grau que faz do neófito um Sacerdote ou Sacerdotisa. Na Tradição Alexandrina, o Segundo e Terceiro grau são dados tradicionalmente ao mesmo tempo, na mesma cerimonia e não separados, como noutras Tradições  em especial a Tradição Gardneriana, embora alguns Covens Alexandrinos optem por fazer o Segundo e Terceiro Graus separados. A distancia entre o Primeiro Grau e o Segundo/Terceiro varia de individuo para individuo mas na generalidade leva o mínimo de 3 a 8 anos. O nível de autoridade que um Ancião da Tradição tem, varia muito de linhagem para linhagem. Um Sacerdote ou Sacerdotisa de terceiro grau é completamente autónomo na tradição, respondendo apenas aos Deuses e à Tradição em geral. No entanto, autonomia não significa falta de discernimento ou sensatez.

Alem disto, muitas linhagens optam por ter no seu sistema um grau de neófito ou dedicante, permitindo a um individuo válido participar em certos ritos antes de se dedicar aos Deuses de forma definitiva. Esta forma não e tradicional mas sim uma opção pessoal dos lideres do Coven em questão. Alex e Maxine nunca tiveram, promoveram, ensinaram ou exerceram este estagio.

A Sumo Sacerdotisa é considerada ‘prima inter paris'.

Tradicionalmente a palavra de um Sumo Sacerdote ou Sumo Sacerdotisa é lei dentro do Coven. Este sistema tem vindo a ser chamado por alguns “uma ditadura benevolente”.

Tradicionalmente o Sumo Sacerdote co-lidera em cooperação com e apoiando a Sumo Sacerdotisa.

A Linhagem Iniciática é verificada em cruzamento de géneros (feminino, masculino, feminino, etc) até a Alex Sanders e as suas Sumo Sacerdotisas, tais como Maxine Sanders. As informações sobre a linhagem não estão sujeitas a juramento de segredo na nossa Tradição, mas também não são do domínio público, e a maior parte das vezes é considerado um assunto pessoal e privado, cabendo apenas ao Iniciado as revelar conforme a ocasião.

Pouco tempo depois da Iniciação, cada candidato começa a copiar o Livro das Sombras pelo manuscrito do seu Iniciador. É da responsabilidade de cada Iniciador, passar a Tradição, tanto oral como escrita, tal como lhe foi passada, sem quaisquer omissões.

O Livro das Sombras Alexandrino contém conhecimentos comuns a todas as linhagens embora com pequenas diferenças de linhagem para linhagem, pois Alex Sanders e os seus Iniciados estavam envolvidos num processo constante de evolução. A essência do Livro das Sombras e os ritos de iniciação são a chave para todos os Alexandrinos legítimos, pois constituem o conhecimento comum que une a Tradição.

Contrariamente ao que se possa pensar, um indivíduo não pode comprar um Livro das Sombras Alexandrino, nem fazer o seu download através da Internet. Embora estes "livros" existam, são apenas compilações de informações/documentos já publicados e a intenção da sua existência apenas se justifica na perspectiva de constituir um conjunto de documentos, similares em estilo, ao Livro das Sombras que podem ser utilizados, apenas como referência, pelo estudante sério da tradição. Estes documentos são, no entanto, totalmente diferentes do Livro das Sombras utilizado pelos Iniciados.

A única forma de obter um Livro das Sombras Alexandrino será através da Iniciação legitima na Tradição.

A natureza e prática exacta dos Covens Alexandrinos poderá variar de linhagem para linhagem e de Coven para Coven mas com certos limites. O treino/ensino foi sempre fortemente implementado na nossa Tradição vindo logo a seguir, em prioridade, ao serviço aos Deuses.

Festivais

O Corpo Sacerdotal da Tradição Alexandrina festeja os oito Sabbats da Roda do Ano. Também nos reunimos tradicionalmente para celebrar os Esbats nas Luas Cheias realizando trabalhos, ensinando e celebrando a Deusa.

Ao contrário do que se pensa, O Corpo Sacerdotal da Tradição Alexandrina não trabalha os Ciclos do Rei Carvalho e do Rei Azevinho, tal como é descrito pelos Farrar no seu livro Oito Sabbats para Bruxas (Eight Sabbats for Witches). Embora alguns Covens e até alguns Feiticeiros(as) possam optar por trabalhar esses ritos, os Ciclos dos Reis Carvalho/Azevinho, NÃO fazem parte da Tradição Alexandrina. Os próprios Farrar o clarificam no seu livro, mas no entanto a confusão ainda persiste.


Normas de Conduta

A Iniciação e Elevação na Wicca é um privilegio e não um direito. A iniciação não é oferecida de forma leviana. Para ser Iniciado na Wicca Alexandrina como Sacerdote ou Sacerdotisa, deve-se em primeiro lugar ser digno(a) de iniciação  São os Anciãos do Coven que decidem a presença deste estatuto no individuo – juntamente com a ajuda e opinião daqueles que já fazem parte do grupo. A sinceridade, o carácter, a maturidade, as escolhas espirituais, nível de compromisso, sentido ético e personalidade do candidato(a) são sempre considerados além de outros sinais esotéricos reconhecidos pelos Anciãos. Os Anciãos devem também considerar se o candidato(a) poderá por ou não a Tradição em risco, abusar dos Mistérios os quais lhe serão confiados após a iniciação.

O caminho do Sacerdócio não serve para aqueles que o procuram apenas pelo ‘estatuto’ ou simplesmente por ser uma experiência “radical”. O caminho Iniciático não serve também aqueles que são mental, espiritual e emocionalmente desequilibrados.

É regra da Wicca Tradicional que nunca se cobra dinheiro por Iniciações e/ou treino/ensino da Tradicao. Na Tradição Alexandrina alguns Covens partilham despesas básicas.

O Corpo Sacerdotal da Tradição Alexandrina tem a obrigação de manter a privacidade de outros iniciados. Como tal, revelar o nome e identidade de outro Sacerdote ou Sacerdotisa sem o seu consentimento é evitado a todo o custo.

A linha de conduta da Ética da Tradição Alexandrina é a Rede Wiccan “Faz o que quiseres, mas não prejudiques a ninguém”. Ao contrário do que se pensa, esta ‘máxima’ apenas refere que toda a actividade que não prejudique ninguém é permissiva. Sem prejuízo a ninguém é um ideal nobre, mas não é de maneira nenhuma para ser tomado literalmente. É literalmente impossível que um individuo possa viver a sua vida sem prejudicar ou causar prejuízo a nada ou ninguém. No entanto somos totalmente responsáveis pelas escolhas que fazemos. Uma das formas de interpretar a Rede é seguir o nosso mais alto ideal (a Verdadeira Vontade) o que implica a escolha do caminho que cause menos prejuízo. Á medida que se cresce na compreensão dos mistérios dos ciclos e marés da vida, o Iniciado começa a tomar consciência da sua ligação intrínseca a todos os seres do planeta. O conceito de “Verdadeira Vontade” começa então a tomar o caminho no sentido do bem supremo na forma que se ache ser a mais apropriada. Este e o verdadeiro sentido da frase “Faz o que quiseres, mas não prejudiques a ninguém”.


Formas de Culto

A Tradição Alexandrina é uma Tradição de Mistérios sujeita a ajuramentação de votos, e como tal, muitos dos pormenores de como e porquê se trabalha da forma como trabalha na Tradição Alexandrina, são secretos - não por serem segredo, mas por serem Sagrados. Este secretismo entre Iniciados da Wicca de Tradição Britânica tem vindo a ser alvo de detractores, implicando nas suas alegações que na certa se existe segredo é porque aquilo que fazemos não é lícito ou bom, ou então, que mantem o secretismo com o propósito de enaltecer o ego (“temos algo que vocês não sabem o que é, e por isso somos melhores que vós“). Posto de forma simples, nenhuma destas alegações é verdadeira. Na Tradição Alexandrina, e tudo o que a constitui, é sagrado, privado e nalguns casos, poderá causar efeitos secundários indesejados se utilizado por indivíduos que não sejam ensinados/treinados nas técnicas Alexandrinas de magia. Os Alexandrinos mantêm a privacidade dessa sacralidade através do segredo. O Corpo Sacerdotal da Tradição Alexandrina não se proclama detentor dos segredos do Universo. Aliás, a maior parte dos “segredos” teriam pouco ou nenhum interesse para aqueles que não são Iniciados na Wicca.

Será suficiente dizer apenas que os ensinamentos da Tradição concentram-se no desenvolvimento do relacionamento pessoal com a Divindade, e uma consciência e sincronia com os Ciclos da Natureza, através de Rituais e tecnicas magicas.

O Corpo Sacerdotal da Tradição Alexandrina utiliza técnicas tradicionais da WTB (Wicca de Tradição Britânica) no sentido de obter mestria e desenvolver as capacidades como Sacerdotes e Sacerdotisas de Templo. Métodos experimentais são também utilizados, pois a Tradição Alexandrina disponibiliza uma sólida base sobre a qual o Corpo Sacerdotal possa construir novos e renovados métodos de magia.

Leituras e Outras Referências


Livros

All the King's Children by Jimahl di Fiosa*

A Voice in the Forest de Jimahl di Fiosa*

A Coin for the Ferryman - The Death and Life of Alex Sanders (biografia) de Jimahl di Fiosa*

What Witches Do de Stewart Farrar

The Alex Sanders Lectures de Alex Sanders

King of the Witches de June Johns

Páginas da Web
Maxine Sanders Homepage
Alex Sanders Official Webpage
Jimahl di Fiosa Official Webpage

CD's
A Witch is Born (re-edição)*

*Os livros e CDs acima poderão ser encontrados em www.logios.biz


Como Sumo Sacerdote da Tradição Alexandrina, os pensamentos e opiniões acima são apenas a opinião e informação que tenho no que respeita à Tradição Alexandrina da Wicca, fruto do convívio com outros Sacerdotes e Sacerdotisas da Tradição, a qual amamos e acarinhamos.


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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Auto-Iniciação na Wicca? – a problemática do nome, designação e conceito.

Auto-Iniciação na Wicca? – a problemática do nome, designação e conceito.

Uma das coisas que mais me perguntam é o porque de na Wicca não se fazerem auto-iniciações. É sabido que esta historia foi começada por Scott Cunningan, os Farrar e por Doreen Valiente a qual chegou até a escrever um rito inteiro para satisfazer esta necessidade. Temo que tenha de esclarecer alguns pontos que penso que estão bastante confuso devido a amalgama de informação medíocre que se vê (ou lê) cada vez mais na Internet.

Existem apenas duas tradições na chamada Wicca Tradicional Britânica – a Tradição Alexandrina e a Tradição Gardneriana. Ambas estas tradições não admitem ou reconhecem a chamada auto-iniciação. A razão pela qual assim o e falarei mais tarde. Gostava de em primeiro lugar definir que tradições são reconhecidas na Wicca.

Wicca foi um termo que foi utilizado por Gardner quando este se referia aos Bruxos e Bruxas do seu tempo. Mais tarde serviu para definir não só as tradições mais puristas da Wicca mas também, e principalmente a partir do final dos anos 70 e princípios dos anos 80, uma amalgama de facões de culto pagão que muita das vezes (a maior parte das vezes) tem muito pouco em comum com a Wicca de Gardner ou de Alex Sanders. A partir dessa altura, a maior parte dos cultos pagãos – mesmo os autóctones de regiões especificas – foram chamdos de “Wicca”, o que é de lamentar. Por outras palavras, todo e qualquer culto pagão tornou-se “wicca” e foi assim que a “wicca” de hoje denomina não só as Tradições da Wicca Tradicional Britânica mas também, todo e qualquer culto pagão. Utilizar o termo “wicca” para classificar assim o paganismo, não só esta errado como promove confusão.

Voltando agora então ao assunto da auto-iniciação.

Um dos argumentos que se apresentam para “desculpar” ou justificar a auto-iniciação, mesmo dentro dos grupos mais tradicionalistas é o facto de que a própria Doreen Valiente (uma das Sacerdotisas de Gerald Gardner e considerada a Mãe da Wicca Gardneriana) o ter defendido aquando da publicação do seu livro Witchcraft for Tomorrow (Phoenix Publishing Inc., 1978) onde se pode ler o seu Liber Umbrarum que convida a auto-iniciação e a justifica. A intenção foi boa – por a Witchcraft ao alcance de todos, claro – mas note-se que aquilo que a Doreen Valiente escreve, não faz parte das praticas da Wicca Gardneriana ou Alexandrina e como tal, é uma boa fonte de inspiração e ate pratica solitária para quem gosta de fazer um caminho solitário – mas não é a Wicca, tal como se entende em Gardner e Alex Sanders. Aconselho este livro aos que queiram praticar solitariamente uma forma de culto pagão que se aproxima das praticas Wiccanas Tradicionais mas mais uma vez entenda-se que não e wicca! Basta verificar que esta a ser publicada num livro e a Wicca Tradicional não se encontra publicada em lado nenhum!

A auto-iniciação não se verifica na Wicca Tradicional porque não faz sentido pratica-la. A Wicca Tradicional é uma tradição iniciática, feita de Sacerdotes e Sacerdotisas. So a segue quem quer e tem vocação para ser Sacerdote ou Sacerdotisa na Wicca Tradicional. A chamada “Wicca Solitária” não faz sentido aqui, porque na Wicca Tradicional, trabalha-se em grupo.
Não quero com isto dizer que não exista a necessidade de praticar cultos pagãos de forma solitária, mas se o fazem, não o chamem wicca – chamem-no paganismo ou cultos pagãos.

Sendo uma tradição iniciática, não existe auto-iniciação. Para se fazer parte de um grupo ESPECIFICO, tem de se ser treinado durante anos, sob a tutela de um Mestre ou Mestra Iniciados em Graus específicos, que tenha obtido os seus conhecimentos de forma honesta e que o possa passar aos seus alunos da mesma forma como lhe foram ensinados. Dai o nome “Tradição” e dai o nome “Iniciação” – por outras palavras, Conhecimento passado da mesma forma, onde a estrutura e exactamente a mesma, passado por alguém que esta, ou faz parte dessa mesma Tradição.

Numa auto-iniciação, um solitário vai transmitir conhecimento a sim próprio??? Não me parece.
Mais uma vez, não quero com isto dizer que o caminho solitário no Paganismo, seja melhor ou pior do que o Caminho do sacerdócio na Wicca – mas não e certamente o mesmo!


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O que faz da Wicca, Wicca? - da génese á evolução

O que faz da Wicca, Wicca? - da génese á evolução.

Todos nos sabemos que a chamada Wicca teve origem nos anos 50 em Gardner e mais tarde desenvolvida por Alex Sanders e Maxine Sanders nos anos 60. Todos nos sabemos que é uma tradição iniciática passada de tutor/a para aluno/a. Mas o que faz então outras vertentes do culto pagão adoptar este nome? Muitas delas não são iniciáticas tal como Gerald e Alex a entendiam. De facto ate existe quem a pratique de forma solitária, quando os preceitos ritualisticos foram criados/herdados com vista a pratica de grupo – o Coven.

O Livro das Sombras de Gardner ou de Alex Sanders não são os mesmos destas tradições pagãs que adoptaram este nome. O que faz então da Wicca ser Wicca? Procurar a definição de termos gerais como – ‘Culto da Natureza’ ou da ‘Deusa Mãe’ – pode ser atribuído ao Paganismo geral não á Wicca em particular. A Wicca é sem duvida uma Tradição do Paganismo – e deixem-me cair aqui um pouco no lugar comum – nem todos os Pagãos são Wiccans e vice versa. A Wicca sempre foi uma Tradição de equilíbrio – pessoal, espiritual e mental – e acrescento o mais importante – energético – tanto que a chamada polaridade é extremamente importante nos seus Rituais. E polaridade aqui não é uma afirmação sexista. Apenas descreve a forma como as energias são trabalhadas.

Que elementos definem então a Wicca como Tradição especifica?

Na Wicca Tradicional existem vários que certamente a definem como sendo o facto de ser uma tradição iniciática, o facto de serem passados elementos e saberes no acto da iniciação, o facto de o culto em si, ter um equilíbrio misterioso, uma igualdade de culto tanto de energias femininas como masculinas – o Deus e a Deusa são cultuados de forma a se poder animar a alma do adorador com a fusão da exaltação dos equilíbrios que se manifestam nos arquétipos Deusa e Deus. O facto do Poder ser passado de geração para geração de forma igual, do Livro das Sombras ser copiado no acto da Iniciação de forma igual, dos ritos serem sempre presididos por uma Sacerdotisa e um Sacerdote. Enfim, existem factores específicos que presidiram a génese da Wicca em 50/60 em ambas as vertentes que caracterizaram este culto pagão como sendo wicca e não, por exemplo, xamanismo ou druidismo, ou ate mesmo Stregaria. O que faz então as varias tradições adoptarem este nome – wicca? Deixo a pergunta e espero pelos comentários.



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Gato por Lebre - o complexo de Delbrueck

Gato por Lebre - o complexo de Delbrueck

Um dos maiores problemas da Humanidade e a mentira. Mente-se por tudo e por nada. Quando nos elevamos ao nível do reconhecimento, a sede de reconhecimento e autoritarismo é severa e assola o mundo inteiro. Na Bruxaria Tradicional (Alexandrina e Gardneriana) muitos são aqueles que se dizem detentores de títulos, graus e afins quando na realidade não possuem mais do que alguns livros sobre algumas tradições, algumas biografias e um estudo quase minucioso de linhagens, cheio de lacunas mas que é suficiente para ludibriar alguns dos mais ingénuos adeptos. Ja perdi a conta aos que me contactam apresentando-se como iniciados de varias tradições mas que na realidade não são mais do que apenas “wanna be’s” nas tradições que afirmam deter graus. Porque é que é tão fácil de os desmascarar? Simplesmente porque existem sinais que apenas iniciados (indivíduos que passaram não só pelo rito de iniciação mas por um processo exaustivo de treino) serão capaz de deter e mostrar. A Falha esta nos pormenores e são tantos que nem o mais perspicaz dos mentirosos poderá mentir de forma tão convincente. A Craft protege-se a ela própria e não existe génio suficiente para que se possa passar impune ao teste. Estes génios do ludibriar, espalham-se pelo mundo inteiro mas infelizmente existem mais concentração num pais ou noutro. Estou a falar da minha experiência e daquilo que conheço. Não pretendo com isto denegrir a pátria de ninguém, mas o meu intuito prende-se com o aviso e alerta aqueles que iniciam uma busca sincera e que são apanhados nesta teia de mentiras convincentes e por vezes difíceis de verificar. Um dos países que mais dores de cabeça dá á comunidade da Bruxaria Tradicional (Alexandrina e Gardneriana) é o Brasil. Não se percebe o porque mas poderá ser justificado pelo facto de ser um pais vasto com uma grande concentração de população e um extremo sentido de religiosidade e de sincretismo. São vários os casos de indivíduos deste pais que se dizem iniciados em Bruxaria Tradicional e que claramente não o são. Os factores que se pesam para a verificação são vários, desde a linhagem (linha ininterrupta de indivíduos que se estende ate a origem sendo esta Alexandriana ou Gardneriana) ou ao comportamento. Por vezes a mentira e tão evidente que quase que raia a inocência infantil. Mas não me interpretem mal, não existe nada de inocente na intenção destas declarações. Estes indivíduos sabem que estão a mentir e fazem-no conscientemente. Existem no entanto outros casos que nos remetem para o outro lado. Estou a falar daqueles que foram vitimas destes indivíduos e foram supostamente “iniciados” por eles/elas. O perigo disto esta neste ciclo vicioso em que alguém é iniciado por estes ‘falsos’ iniciados, e por sua vez estes iniciam mais e no final temos uma linhagem inteira de pessoas que se consideram ‘invalidas’ e que perderam anos das suas vidas em ‘treinos’ e ‘estudos’ que nada tem a ver nem são reconhecidos como legítimos na comunidade de Bruxaria Tradicional Britânica. Seria mais fácil procurar um verdadeiro núcleo de iniciados e receber treino legitimo do que insistir na mentira. Mas o ego e mais forte, e uma vez a mentira lançada, é difícil de se cortar – workshops, livros e Covens, fazem o nome destes indivíduos que não tem a coragem de mais tarde desmentir aquilo que os faz serem reconhecidos mesmo que pelos mais ingénuos. Existe ainda uma ínfima parte de todo este "rol" onde existem aqueles que acreditam piamente que são aquilo que dizem, uma vez que lhes foi dito e mostrado que assim era e como não tiveram termo de comparação, aceitaram como legitima a senda que seguem. No entanto, nem mesmo neste caso a ingenuidade pode ser desculpa.

Hoje me dia, os meios de comunicação expandiram-se e tudo esta ao alcance de um email. Mas a mesma tecnologia que põe ao nosso dispor a maravilha da comunicação ultra rápida, põe também a disposição informações perigosas e falsas ao alcance de um clique numa pagina da Internet.

Porque e que e tão importante este alerta? Porque todos nos, os que de facto receberam iniciações e treino, trabalhamos durante anos e anos para chegarmos onde estamos agora – um trabalho árduo que não pode ser diminuído por indivíduos que inventam linhagens e iniciações em países estranhos (não sei porque mas a Austrália e sempre o pais de escolha, talvez por ser distante e por se pensar que ninguém ira verificar). Lançando o alerta aos que sinceramente procuram treino e iniciação na Bruxaria Tradicional Britânica (Alexandrina ou Gardneriana), verifiquem, perguntem e investiguem primeiro antes de se comprometerem com indivíduos só porque estes (eles ou elas) dizem serem iniciados da Bruxaria Tradicional Britânica. Dei o exemplo do Brasil mas o mesmo existe nos Estados Unidos e no Reino Unido. Por isso alerta – a Bruxaria Tradicional Britânica não pode ser devassada desta forma por indivíduos que vivem numa terra chamada Delbrueck.




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Do Alto Sacerdócio - o papel do oficio do Sacerdócio na Wicca Tradicional

Do Alto Sacerdócio - o papel do oficio do Sacerdócio na Wicca Tradicional

Um Porta-Estandarte Antigo

Num trabalho recente que criamos para a nossa editora LOGIOS Publishing (www.logios.biz) onde Jimahl di Fiosa, Maxine Sanders e eu colaboramos num projeto único, surgiram algumas reflexões e experiências quanto ao papel do oficio do Sacerdócio na Wicca Tradicional. O projeto surgiu numa conversa que tive a alguns meses atrás com Maxine Sanders (http://www.maxinesanders.co.uk), esposa e Sumo Sacerdotisa de Alex Sanders, onde falamos da possibilidade da eventual re-edição da gravação "Alex Sanders - A Witch is Born" (http://www.witchisborn.com). O interessante nesta nova edição, seria o facto de ser muito mais completa do que o original. Na nova edição desta famosa gravação, queríamos criar uma introdução antes de cada um dos ritos onde se explicaria de forma clara e sucinta o propósito de cada um dos rituais. Assim, Maxine Sanders e Jimahl di Fiosa escreveram os textos que iriam ser narrados por mim (Karagan) nesta nova edição, bem como a inclusão de uma nova voz (Indigo Astrea) que iria substituir a de Janet Farrar do original, fazendo assim a ponte entre o passado (Janet Farrar como iniciada) e Indigo Astrea (jovem iniciada da Tradição Alexandrina da Wicca). Mas de que consta esta famosa gravação feita nos anos 70 em Londres e porque é ela tão importante hoje?

"A Witch is Born" foi lançado em Londres em 1970 e segundo Maxine, foi gravado com o intuito de ser um sinal, uma bandeira para aqueles que quisessem seguir o Caminho Sagrado na Antiga Religião. Serviu o seu propósito na altura, e achamos que de novo, e necessário um novo sinal, um farol que possa emitir uma luz pura e visível ao coração dos que são sinceros e genuínos. Este foi o objetivo que presidiu este projeto em 2011. Mas como poderá este CD transformar ou criar novos caminhos? Os que ouvirem esta gravação, terão uma ideia da substancia e do poder dos ritos Sagrados da Wicca Tradicional e espera-se que esta gravação seja um chamado, ou não, ao oficio de Sacerdócio. O texto da narração que acompanha o original de 1970, descreve o significado (ate onde se pode explicar o significado ao publico) de cada momento dos ritos. No original, Stewart Farrar, também autor do texto narrativo original e narrador, explica passo por passo a accao do ritual. Nesta nova versão, o texto foi totalmente re-escrito por Maxine e Jimahl de forma a abranger o máximo de informação possível sem que se revele demais. 

O Espírito Verdadeiro e o papel do Oficio do Sacerdócio

O Espírito Verdadeiro reside naqueles que de forma sincera e legitima chegaram onde o seu coração lhes permitiu. Só se chega ao Alto Sacerdócio através da procura interior e de uma dedicação extrema. É um caminho difícil mas nunca fechado ou lacrado. Todo o ser Humano, com pureza de intento e sinceridade na alma, será capaz, se for essa a sua apaixonada vontade, de fazer parte do Alto Sacerdócio da Wicca Tradicional. Ouvi e li muitos disparates em relação a escolhas sexuais - não se pode ser Sacerdote ou Sacerdotisa de Wicca Tradicional sem se ser absolutamente heterossexual. A Wicca Tradicional, nada tem a ver com escolhas de sexualidades, e aqueles que tal afirmam, nunca puseram o pé nos Templos Sagrados nem nunca tiveram acesso aos mais profundos Mistérios da Wicca Tradicional. A sexualidade ou a preferência sexual não esta contemplada no âmago do Mistério. Preocupações como essas são demasiado mundanas para fazerem parte dos profundos Mistérios dos Templos Sagrados da Wicca. Os mistérios observam-se de forma subtil e não tangente. Existem muitos falsos doutores, e como tal, aquela ou aquele que procura não deve de ser desencorajado. O Espírito Verdadeiro será sempre o catalisador nas escolhas. Não se pode obter um ovo cozido sem que a galinha o ponha primeiro e existem muitos ovos de madeira a boiar a supreficie dessa panela de agua que ferve. É do oficio de Sacerdócio, não mostrar, mas fazer. Com a expansão da Wicca Tradicional, surgiram muitos falsos professores e "mestres" que continuam ainda hoje a proliferar e por isso será preciso o guia do Espírito Verdadeiro para se chegar a um Templo Sagrado. Neste novo milenium, o problema em encontrar o Oficio de Sacerdócio, não reside no secretismo de outrora mas sim na quantidade de falsos doutores de hoje. A escolha e a destreza em encontrar o verdadeiro sentido no meio de uma imensa floresta de falsas bandeiras, é ainda mais difícil do que obter informações sobre a localidade de Templos nos anos 60. Será importante saber que o oficio do Sacerdócio não reside na integridade do Ego, mas sim na produção de momentos de intima conexão com o Divino. Neste sentido, só nos resta aguardar, pois a Justiça e severa e não misericordiosa para aqueles que vivem em sonhos de delírio e insistem em prepectuar-los. 

Temple of the Mother - um exemplo de dedicação

Em meados dos finais dos anos 70, e depois de Alex Sanders e Maxine Sanders seguirem o seu próprio caminho, Maxine continuou a sua viagem fundando o Temple of the Mother (Templo da Mãe) em Londres, juntamente com David Goddard. David, um excelente cerimonialista, era, segundo Maxine, enfadonho aquando das invocações, mas detinha um excelente sentido de pratica de ritual. David e Maxine trabalharam juntos durante bastantes anos, apurando rituais e experimentando técnicas. A relação magica entre um Sacerdote e uma Sacerdotisa tem de ser forte e poderosa, mas por vezes torna-se bastante perigosa para os pares que não tem (ou não devem ter) uma relação amorosa. Foi o caso de David e Maxine. David era homossexual e como tal, a atração entre os dois tornou-se bastante produtiva e apenas cingida á magia. Durante este período, a Wicca Alexandrina evoluiu bastante em termos de ritualistica, sendo que David e Maxine tornaram-se "cientistas" da Craft, refletindo isto na forma como abordavam a Tradição. A metodologia inclui a precisão da ciência, e aos mesmo tempo a criatividade e espontaneidade da Craft - uma combinação perfeita. Os Mistérios foram observados de forma profunda e experimentados em diversas dimensões numa abordagem absolutamente inovadora, que deu origem a uma exploração misterica profunda. Todas as praticas e experiências eram metodicamente registadas e repetidas quando o sucesso era atingido e todas aquelas que falharam eram rejeitadas. No entanto, o Temple of the Mother não era somente um "laboratório" da Craft, mas um Templo onde o Oficio do Sacerdócio era observado de forma constante. Este é um exemplo do que deve ser o papel e o trabalho do Alto Sacerdócio na Wicca Tradicional. A eterna e metódica experiência na construção de um Microcosmos no intuito da profunda e completa ligação ao Macrocosmos da Criação.

Espero sinceramente que este texto esclareça de facto, o papel do Alto Sacerdócio na Wicca Tradicional, mas será bom não esquecer que esta e apenas a minha perspetiva acerca deste assunto.


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